terça-feira, 10 de março de 2015
A gente vai sobrevivendo ---- Cazuza
Dia sim, dia não, eu vou sobrevivendo ... Cazuza.
A gente vai sobrevivendo aqui e ali, com coração partido, com dor de barriga, com vontades inexplicáveis
A gente anda pelo viés. Esbarra na ânsia do adeus. A gente se cobra, rala, se veste de pipoca e acaba se enxergando piruá.
E vai pensando e se entregando, e se amando. E tem dia que a gente se olha e se perde, e tem dia que um olhar se achega e a gente se acha. Tem dia que um abraço sem som, sem pergunta, é o melhor que a vida pode dar.
Tem dia que a gente precisa falar, outro dia a gente precisa ouvir, e amar no chão da sala e fazer barulho pelas paredes do quarto e grunhir.
Tem noites sem fim, noites azuis, noites estreladas. Tem noites sem teto, sem chão, de vazio e escuridão.
E a gente aprende a somar, a desenhar a lua, a chorar baixinho para que ninguém nos pergunte nada. Mas tem vez que a gente explode que nem bola de chiclete, e esbarra na ponta do nariz e se meleca e se ri e se choca com a veracidade da poesia.
Tem dia que a gente olha o homem dormindo na rua, e ele nos olha e nos diz, olá, e a gente responde e tenta sorrir.
Tem dia...tem noite, sem vida, com grilo, sem folego, sem dor, sem nada. Mas tem dia cheio de luz, de conto de fada, de alegria instantânea, de gestos gentis.
TEXTO:Solange Mazzeto
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