quarta-feira, 11 de março de 2015
Meu amigo e eu, eu e meu amigo
Tenho um amigo que me faz sentir especial e única. Quando meu casamento de 20 anos terminou, ele me reergueu, sem segundas nem terceiras intenções. Não que não tivesse intenções sexuais, até tinha e um dia me disse que tinha, mas soube respeitar cada ferida que eu tinha escancarada. Nos falávamos sempre, quase todo dia. Ele me deixava livre para procurá-lo quando eu bem (o) queria. E o procurei por anos a fio, até nas madrugadas insones de nós dois. Parecia milagre, ele parecia um anjo sempre a postos. Quando descobri um caroço no seio, foi numa madrugada, acordei para tomar água e lá estava meu caroço rindo de minha dor, quando digo meu caroço, é porque era meu, eu o criei com a mágoa e a raiva. Criei e tô 'descriando'. Mas isso não vem ao ponto agora. Tô contando desse amigo. Em dias frios, me sentia congelar sem meu marido, e esse amigo me socorria, me fazendo rir, ficava eu e ele, ele e eu.
Passou tempo e tempo, quando me sentia caída, com a asa torta ele vinha e me aprumava. Nos divertíamos, ele me incentivava a sair de casa, passar batom, me arrumar. Demorei a conseguir sair de casa, sem me sentir um trapo, mas fui aos poucos me redescobrindo. Eu aparecia diante da câmera com umas três mudas de roupa, e ia mostrando ao meu amigo para que ele me ajudasse a escolher com qual roupa eu sairia, então, eu aparecia pronta, saia de frente da câmera, me trocava e voltava com outra, até que eu ficasse com a roupa mais gata aos olhos dele. Teve dias dele me pedir, se troca na minha frente, deixa ver se o sutiã e a calcinha combinam, eu sorria, colocava um pano na câmera e reaparecia vestida.
Foram anos assim. Nós dois, eu e meu amigo, meu amigo e eu.
________________Solange Mazzeto
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